Discriminação da Qualidade de Vinhos do Mesmo Tipo

Carina Tavares, António Corte-Real

Abstract


Conhecer vinhos é símbolo de estatuto social e de cultura. Neste trabalho, propusemo-nos analisar se os consumidores comuns (consumidor de vinho, esporádico ou habitual, que consome vinho por prazer, sem qualquer formação ou treino de avaliação sensorial) têm capacidade sensorial para discriminar a qualidade global de dois vinhos do mesmo tipo, mas com preços e com classificações de qualidade diferentes. Definimos como principais objectivos: i) analisar a existência de diferença significativa na qualidade global de dois vinhos Douro DOC Tinto (DOC - Denominação de Origem Controlada) com preços e pontuações muito diferentes e ii) avaliar a existência de diferenças entre géneros em relação à capacidade sensorial para discriminar a qualidade global destes vinhos. Utilizamos uma amostra de 32 alunos do Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga (ISVOUGA), consumidores de vinho, seleccionados através de um questionário. Estes participaram em provas cegas em que foram provados dois vinhos tintos da região do Douro. Testamos a existência de uma diferença de qualidade perceptível entre os dois vinhos e inferimos sobre a proporção de consumidores comuns com capacidade sensorial para perceber essa diferença de qualidade. Utilizamos testes triangulares de discriminação sensorial. Conclui-se pela existência de evidência estatística de que o consumidor comum consegue sensorialmente, distinguir vinhos com preços de venda diferentes e diferentes classificações de qualidade. Não foi clara a preferência dos consumidores relativamente à qualidade dos vinhos. Concluiu-se também que não existe diferença significativa entre os dois géneros, no que diz respeito à capacidade sensorial para diferenciar os vinhos testados.


Keywords


Testes de discriminação, vinho, qualidade, capacidade sensorial, Douro. 

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e-ISSN: 2183-3826

 

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